Aquela vontade

Tenho várias turmas ótimas. Mesmo, são todas incríveis de maneiras estranhamente parecidas. 

Meus alunos mais novos tem 12 anos. É uma turminha de teen, pre adolescentes. 

E eu tenho uma vontade enorme só de conversar com eles. Contar histórias e coisas.

Por exemplo, tem uma aula sobre arte. Quero contar pra eles quem foi Jaqueline Dupre e como ela é a maior violoncelista de todos os tempos, mas que parou de tocar com 28 anos por causa de esclerose múltipla. Quero contar sobre o urinol de Duchamp e como ele rompeu com os padrões tradicionais de arte. Quero explicar que funk é sim uma forma de arte. Gravar na cabeça deles que não se julga arte como boa ou ruim. Que o objetivo da arte não é nos acalantar, mas nós inquietar e causar desconforto. Que hominídeos antigos só são considerados evoluídos quando começam a ter resquícios de materiais decorados, sem função sobre estética. Mostrar Banksy e explicar porque o cara é genial. 

A próxima unidade é sobre dinheiro. Quero falar pra eles como acontece a inflação. Contar a história das tulipas da Holanda e de onde vem a expressão salário. Mostrar a pirâmide de Maslow, e fazer com que eles entendam a diferença entre necessidade e desejo. Trazer uma coleção de moedas de diferentes lugares do mundo e fazer com que eles adivinhem de onde elas são. Explicar a noção de custo, e os custos não monetários que são pagos por todo tipo de produto. 

No fim, quero trabalhar minha vaidade intelectual e parecer inteligente. Mas quero ver eles saindo por aí exibindo tudo que podem ter aprendido comigo. 

Tenho sérios problemas. 

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Os tais dos cursos livres

Esses dias estava comparando a escola tradicional com os chamados cursos livres.

Metade da minha família leciona em escolas tradicionais. Eu, a grande rebelde, estou dando aula em um curso livre. AKA, um curso de inglês.

Não tenho uma percepção muito profunda do procedimento de uma aula tradicional, só o que eu lembro dos tempos do colégio. Professor prepara aula, passa conteúdo no quadro, manda tema, corrige tema, responde perguntas, aplica prova, corrige prova e dá nota. Isso num esquema ultra simplificado.

Fiz dois treinamentos esse ano para professores de inglês. E é complicado. Não só porque estamos falando de educação, que já é difícil. Mas porque o cursinho de inglês não é obrigatório, o aluno poderia ficar em casa jogando videogame. E as aulas precisam ser mais divertidas do que jogar videogame. Você tem turmas de no máximo dez alunos, então precisa ser amigo deles, pelo menos dentro da sala. E precisa chamar atenção dos seus amigos, corrigir pronúncia e gramática.

E ninguém gosta do amigo que corrige pronúncia e gramática.

Aí você engana com jogos. Mas nem sempre funciona, então tem que planejar jogos muito bem planejados e discretamente educativos.

É cansativo.

Mas divertido.

Mas cansativo.

Mas divertido.

E fico nesse loop pra sempre.

 

Já é abril?!

Abril é um mês sempre significativo, pra mim.

Em abril dei meu primeiro beijo. Em abril tive meu coração partido pela primeira vez. Comprei meu violoncelo. Consegui meu primeiro emprego.

Falando assim, parece que abril é recheado de coisas boas. Não é bem assim, coisas péssimas já aconteceram em abril. Mas, coisas boas ou ruins, abril sempre é o mês que  coisas acontecem.

Sabe, como quando a Ana Terra diz que sempre que acontece alguma coisa, está ventando.

Me escondi da Internet nos últimos meses. Sei quem me stalkeia (oi), e preferi evitar. Sei quem poderia stalkear, e preferi desincentivar.

Só que minha cabeça alcançou o estado de caos absoluto. Vou tirar alguns minutos por dia pra vir aqui, até final de abril. Registrar o que está acontecendo, até eu me reacostumar a escrever. Evoluir para textos opinativos e reflexões. Desenrolar o fio da meada e dar sentido às coisas aleatórias que eu penso.

Espero que também comece a divulgar isso aqui. Chega de escrever para ninguém, de discursar para uma sala vazia.

Hora de começar a fazer planos.