WOOOOOW

Caramba. Que coisa estranha isso… Faz tanto tempo que eu nao escrevo que eu nem sei mais.

Outra coisa, nao achei o til nesse teclado.

Passei por tanta coisa nos últimos anos que foi esquisito. Mas nao quero falar disso. Pelo menos nao agora.

Enfim.

Minha preocupaçao tá relacionada com felicidade.

Quer dizer. Percebi que tem poucas coisas na minha rotina que me deixam feliz.

Estou trabalhando como professora em tempo integral, aliás. Antigamente, tinha determinadas turmas como favoritas, admito, e ansiava ter aulas com essas turmas a semana toda. O curioso é que eu ainda tenho essas turmas, mas ir para as aulas acabou se tornando um sofrimento. Preguiça, vontade de ficar em casa sem fazer nada.

Também tive uma fase de rata de academia. Ia para a academia 5x por semana, e adorava. Esse ano, no entanto, sair da cama de manha é um drama.

Que mais?

Antes eu gostava da música. Esse ano tive o convite de participar de uma Orquestra amadora da minha cidade, mas estava com super má vontade de ir aos ensaios ou estudar em casa.

Antigamente também, eu adquiri gosto por cozinhar. Mas nao apenas cozinhar, gosto pela cozinha funcional, aquela saudável e equilibrada. Agora, chego em casa e como uma miojo porque cozinhar cansa.

Entao to numa fase que nao sei. Nao sei o que é que fico ansiosa por. Nao sei qual é a parte do meu dia que eu mais espero. Nao sei de onde eu tiro os pequenos prazeres.

E isso me preocupa.

Por isso voltei a escrever.

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Mais um

Um desabafo. Mais um sobre feminismo, desculpa.
 
Dou aulas de inglês para crianças e adolescentes. Enquanto coisas incríveis acontecem, coisas chatas matam a esperança na humanidade.
 
Exemplos.
 
Perto do Dia das Mães, um aluno menino estava reclamando de ter que usar saia numa apresentação, indignado. Eis que uma colega dele, que parecia estar dormindo na sala, levanta a cabeça e diz “Realmente, a sua sexualidade é tão frágil que pode ruir se você usar uma saia”. E ainda deu pra falar de Marie Curie na aula, o que fez as meninas saírem saltitando de alegria e os meninos com aquela cara de pensativos. Foi um dia legal.
 
Mas hoje, no Dia do Desafio, fiz uma atividade que envolvia corrida. Dividi eles em dois grupos. Eis que, depois de umas três rodadas, um aluno grita “Como assim, a gente tá perdendo? O nosso time tem mais guris que o time deles, a gente tem que ganhar!” e eu engoli seco. A menina no time dele, no entanto, não deixou barato. “Cala a boca, idiota, se tu é machista desse jeito, troca de escola, que eu não quero estudar contigo!” Tive vontade de aplaudir.
 
Só que, né. Eu fui tentar dar lição de moral. Depois de terminar a atividade, conversei um pouquinho com eles e perguntei o que aquilo queria dizer. “Homens são melhores em esportes”. Não sou nenhuma estudiosa do feminismo, então não tive muitos recursos pra falar com ele. Contei da Mia Coutinho, uma powerlifter de 1,60m que ergue 300 kg, e recebi o argumento de que ela era uma exceção. Okay.
 
“Me diz, teacher, uma invenção que tenha sido feita por mulheres”
 
E aí eu quero bater com minha cabeça na parede, porque não de uma resposta digna.
 
Eu disse “Que tal o Raio X? Que tal a ambulância? A geladeira e o computador?” e ele ficou quieto.
 
Deveria ter dito “E o wi-fi? E o colete a prova de balas? E o aquecedor central? E a cerveja? E a máquina de fazer sorvetes? E a máquina de lavar louça? E o escorredor de arroz? E o bote salva vidas? E o primeiro software de computadores? E todas as mulheres que inventaram alguma coisa e tiveram que colocar no nome dos maridos?”
 
E todas as forças do meu corpo estão reunidas em não pegar o celular e mandar um whatsapp para esse aluno listando todas as invenções que eu posso descobrir que tenham sido feitas por mulheres.
Melhor seria mandar no grupo da turma. E conseguir mais uma lista de mulheres que são melhores que homens nos esportes. E, no fim, escrever “Então corra como uma menina e faça ciência como uma menina. Assim, dá pra gente mudar o mundo”.
Mas sou contida.
Ou idiota.
Ainda não tenho certeza.

A Mandioca do Feminismo

Faz algum tempo que eu estou evitando fazer esse textão em específico.

Há dois anos, eu estava conversando com uns amigos na faculdade. Entre casos e histórias, um deles estava contando de um caso muito engraçado que aconteceu na cidade dele. Ele narrou o seguinte, dando muita risada.

“Cara, na minha cidade tem essa guria. Ela é muito puta. Ela dá pra todo mundo. Aí um dia, ela marcou de se encontrar com dois cara no matinho lá, pra dar pros dois ao mesmo tempo. Só que os caras foram zoar com a cara dela, e foram em cinco. Meu, no outro dia, ela tava no hospital com uma mandioca enfiada lá!” E dava risada. Muita risada. E eu fiquei desconfortável. Quer dizer, a ideia de qualquer pessoa ter uma mandioca enfiada na vagina não parece engraçada.

“Mas… Ela queria?” Eu perguntei, séria.

“Que?” Ele enxugou as lágrimas de riso e me olhou confuso.

“Quer dizer… Ela queria ter transado com os cinco caras? Ela queria ter usado a mandioca?”

“Ela foi parar no hospital com uma mandioca na xota!” Ele repetiu, tentando rir, e confuso demais por eu não estar dando risada. Depois de alguns segundos, ele me perguntou. “Você é feminista?”

Passou um mini vídeo na minha cabeça. Feministas escandalosas andando de peitos de fora na marcha das vadias. Diferença salarial de 30% no Brasil. Estupros coletivos na Índia (e, aparentemente, em Erebango) onde a mulher é a culpada. O cara que passou a mão na minha bunda enquanto eu esperava o sinal de trânsito abrir. Mutilação genital. A eterna discussão “feminismo” vs “anti-sexismo”.

Nunca tinha me identificado com o feminismo. Não gostava do ativismo explícito, da raiva das mulheres contra os homens, do extremismo. Mas, porra, eu ser contra um caso em que a menina foi estuprada por cinco caras e uma mandioca me faz ser feminista? Então tá.

“Sim”, eu disse, pela primeira vez pra essa pergunta.

Ele me olhou com uma cara assustada.

O cara nunca mais conversou comigo no intervalo. Cumprimentava de longe, meio assustado, e continuava contando histórias engraçadas para os amigos.