Memento Mori

“Se não me engano”, disse Klaus, que raramente se enganava, “‘Memento mori’ quer dizer ‘Lembra-te de que morrerás'”.

“Lembra-te de que morrerás”, repetiu Violet, em voz baixa, e os três irmãos se encolheram uns sobre os outros, como se sentissem muito frio. Mais cedo ou mais tarde todos morreremos, é claro. (…) Todos havemos de morrer, mas quase ninguém quer ser lembrado disso.”

A série gótica “Desventuras em Série” é, como já disse inúmeras vezes, a minha favorita. No meu TCC, todas as minhas epígrafes vieram dessa série. Tenho tatuado o lema da sociedade secreta do livro no braço. Vira e mexe lembro de alguma coisa que se relaciona com os livros de um jeito muito especial para mim.

Não sei desde quando eu me interesso por séries, livros, músicas e lendas que falam de morte.

Danse Macabre é minha música favorita. Inspirada por uma lenda francesa, onde a Morte levanta de seu túmulo e começa a tocar seu violino para que os mortos dancem, a obra de Camille Saint-Saens foi censurada. Me arrepia e me acalenta, e enquanto escuto, eu vejo a história se desenrolar.

 

Dois seriados que eu guardo com muito carinho, ambos do Bryan Fuller, falam da morte. Enquanto Dead Like Me conta a história de uma ceifadora, destinada a coletar as almas das pessoas que morrem de maneiras absurdas, Pushing Daisies mostra um homem que tem o estranho poder de reviver os mortos, mas apenas por um minuto, ou coisas terríveis acontecem.

Six Feet Under, por outro lado, um seriado criado pelo Alan Ball, mostra a morte de uma maneira mais crua e grotesca. Enquanto uma família dona de uma funerária convive com a morte diariamente, ninguém nunca está preparado encará-la.

A cultura asteca e mexica via a morte de uma maneira diferente da cristã que vemos hoje. Os mortos eram recompensados numa espécie de paraíso, contanto que fossem lembrados pelos vivos. Por isso as celebrações do Dia dos Mortos, onde se monta um altar para os falecidos com suas comidas e bebidas favoritas, convidando-os a celebrar juntos.

A carta do tarô da morte mostra um ceifador, e simboliza a necessidade de renovação. Essa carta, e a imagem da morte como um ceifador, vem da deidade Chronos, ou o Tempo.

Markus Zusak, escrito de um dos meus livros favoritos, deu voz à Morte para contar a história da Menina Que Roubava Livros, de uma maneira bastante sóbria e sensata, pra não dizer bonita. Dane-se, eu digo, a história dele tem uma leveza e sensibilidade que só estão ali por terem a Morte como narradora.

Certamente que ninguém quer morrer. (“Exceto os suicidas, mas eles são uns chatos” –  Ruby, em Dead Like Me)

Ter medo da morte, própria ou alheia, não muda o fato de… Bem. Memento Mori.

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3 pensamentos sobre “Memento Mori

  1. Que post incrivel Nee-chan! Esses dias tava vendo um programa x que não lembro onde alguém morria e me dei conta de que morro de medo de morrer… Ou sei lá, de morrer cedo e virar aquelas almas penadas sabe? Mas sim, um dia todo mundo morre, e depois reencarna, mas a gente só vive uma vez mesmo, só se é a gente, nesse corpo, nesse mundo, nessas circunstâncias uma vez… É lindo e assustador né?

    beijo

Não me siga, eu também estou perdida.

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