Parcialmente

Fui na livraria com um objetivo fixo. Mas nenhum dos livros que eu queria estavam lá, então fiz aquela aventura de olhar as estantes até encontrar alguma coisa que me agradasse.

Partials, do Dan Wells, tinha Nova York na capa. A contra-capa me mandava ler as páginas 92-93 para me identificar com o livro. Desafio aceito, eram duas meninas conversando, uma contando para a outra que estava grávida. A uma estava feliz com a gravidez, enquanto a outra estava desesperada. Okay, então.

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Publicado no Brasil pela editora iD, e originalmente nos Estados Unidos pela Blazer + Bray, o livro é o primeiro de uma trilogia publicada originalmente entre 2012 e 2014. Seguido por Fragmentos e encerrado com Ruínas (ainda não publicado aqui). Mas parece que existe um prequel, uma “prequência”, que acontece antes de Partials chamada Isolação (também não publicado, ainda).

A história segue Kira, uma jovem estudante de medicina, no que eu calculo ser por volta do ano 2070. Vinte anos antes, os humanos desenvolveram seres biológicos muito parecidos com eles, com algumas melhorias quanto a força, velocidade e sentidos, para serem usados principalmente em guerras. Esses seres são os Partials. Mas é claro que ia dar merda, e nove anos depois de serem criados, onze anos da história começar, eles se rebelam e lançam no ar o vírus RM, que matou 99,996% da população, que agora vive em East Meadow, em Long Island (pertinho de Nova York, que é território Partial). O vírus é especialmente letal para recém-nascidos, e para tentar combater isso e repovoar o planeta, o Senado responsável pelo governo de East Meadow implementou a chamada Lei da Esperança, uma lei que obriga todas as mulheres que atingem uma determinada idade a engravidarem. E essa idade é cada vez menor. Quando a melhor amiga e irmã de criação da Kira engravida (páginas 92-93), ela surta e quer encontrar a cura a todo custo. Isso leva ela e um grupo de amigos a irem para Nova York, para capturar um Partial e descobrir o que torna esses seres geneticamente superiores imunes.

A leitura é difícil de começar… Acaba sendo enrolada, e por diversas vezes eu lia uma ou outra palavra de um parágrafo meio inútil e passava para o próximo, sem sofrer perda no contexto geral da história. Nas últimas 100 páginas, no entanto, dá uma guinada e eu fiquei “porra, você demorou tudo isso pra chegar nesse ponto e aí vai acabar?”. Malditos livros de coleções. Ainda assim, foi o primeiro livro que eu li em que o personagem era médico e tinha um pouco desse cenário… E foi bastante interessante. Quando a Kira está no laboratório, conduzindo suas pesquisas, e começa a falar de vírus, aminoácidos, proteínas, sequência genética… Eu não entendia nada, mas achei fascinante. Ponto positivo.

Uma coisa que eu não curti, pelo menos na edição que eu li, foi a quantia de nomes não traduzidos. A começar por Partials. Depois fica Break. E uma porção de outros, mas esses são os que mais aparecem. Gosto quando nomes são traduzidos (Rivendell = Valfenda, Riverrun = Correrrio, Muggle = Trouxa, etc.) e sou a favor com o comprometimento com a língua em que a história foi adaptada, então isso me incomodou um pouquinho.

Tem uma falha gigante no livro que eu acho que o autor não conseguiu contornar, e talvez com um parágrafo eu não teria ficado tão frustrada. A Kira vai começar a fazer os testes com o vírus e precisa de uma amostra de sangue e, ao invés de seguir aquela linha onde o cientista faz testes nele mesmo, ela pega o sangue do namorado. Tá… Achei estranho, coloquei uma nota mental e segui. Mais pra frente, e desculpa pelo spoiler, o livro revela que existe uma coisa diferente do comum no sangue dela. Então aí o autor não podia deixar que ela testasse o próprio sangue, porque essa coisa seria revelada na hora. Mas em nenhum momento houve uma justificativa por ela não ter usado o próprio sangue, achei falho. Não que comprometa o livro ou a história, só é um detalhe que eu considerei incoerente.

Achei interessante ver a variedade étnica dos personagens do livro. Como apenas uma minúscula parcela da humanidade sobreviveu, e de maneira completamente aleatória, são pessoas com fisionomias e nomes e americanos, japoneses, mexicanos, africanos e por aí vai. A própria Kira é indiana.

Tem uma personagem mais nova, também mais ou menos irmã de criação da Kira, que demonstra uma veia revolucionária e feminista. Confesso que essa história de gravidez compulsória me perturbou, e foi essa menina que acabou vomitando o que isso realmente era: um estupro coletivo institucionalizado. As meninas que engravidavam não eram necessariamente estupradas, e sim tinham a “escolha” de engravidar de um parceiro ou via inseminação artificial.

Apesar de ter sido um livro um pouco moroso no começo, quando a história desenvolve, ela fica bastante cativante. A Kira, e as outras mulheres, são personagens femininas que eu achei bem trabalhadas. Elas ainda (em 2070!) vivem em uma sociedade machista que acha que precisa “proteger” e que pode “controlar” as mulheres, e apesar de isso estar estabelecido, elas demonstram que sabem se virar muito bem sozinhas, obrigada. Bastante incomum, visto que o autor é um homem.

Minha nota ficaria num 7/10, porque eu não quero dar nota quebrada e não acho que chegou lá o bastante pra fechar um oito. No geral, foi um bom livro e eu recomendo pra quem gosta de ficções científicas de distopias modernas.

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2 pensamentos sobre “Parcialmente

  1. Nee-chan! Que livro doido! Hhahahahahah se você gostou eu recomendaria “Vampiros em Nova York” do Scott Westerfeld, é uma brisa muito louca, mas ele escreve muito bem e tem toda essa pegada de vírus cheio de nomes difíceis e etc, eu sou suspeita porque amo o Scott, sou fangirl assumida ahaha

    Eu tenho uns 100 livros pra ler ainda que comprei e estão juntando pó na estante, mas eu fiquei curiosa com esse aí hahaha

    beijos!

    • Ale! <3 O livro é bem estranho, em um ritmo que eu não tava acostumada. Curti esse Vampiros em Nova York, vou ler assim que terminar os novos que comprei. E nem me fale em lista, já desisti delas. :P Devo ter algumas centenas de livros que eu deveria ler, mas, né… A gente tem que comer e dormir de vez em quando também. ^_^

Não me siga, eu também estou perdida.

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