A moto e o caminhão

– E aí, prô? Tudo bem?

– Não. Nada bem.

Ninguém nunca quer ouvir um “não” quando pergunta se está tudo bem. O “tudo bem?” não é uma pergunta verdadeira, é apenas uma extensão do “oi”. Só se espera uma resposta honesta do “tudo bem?” quando se é muito amigo da pessoa. E só se recebe uma resposta honesta quando a pessoa é muito amiga.

Ou quando a merda é grande.

É estranho pensar que uma pessoa tão talentosa simplesmente… não mais.

Eu briguei quando ele tentou me convencer que o apelido dele era Leo. Não podia ser, o nome dele não era Leonardo. Tirei com a cara dele quando ele gastou R$1,200 pra trocar o iPhone 4 dele por um 4S. Mas fiquei morrendo de vontade de ter um, tanto que comprei o meu anos depois. Eu jogava air hockey no iPhone dele nas aulas de Fundamentos da Publicidade e Propaganda. Achei a peça que ele fez pra matéria de Editoração, baseada na Campari, uma das mais marcantes (e absurdas) que eu já vi. As edições de vídeo que ele fazia eram de cair o queixo, mesmo estando só no segundo semestre.

Aí ele mudou de curso. Abandonou os publicitários e foi pro design. A gente não se via mais tanto, só um abano no corredor, uma conversa na semana acadêmica e esse tipo de coisa.

Mas eu tinha muito carinho por ele.

Grande cara, com um grande coração.

Não merecia.

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