Brincos de Argola

Fiquei surpresa ao perceber a minha reação quando percebi que os brincos de argola tinham se ido.

Bem… pelo menos a minha reação interna. Externamente, acredito não ter expressado nada.

O fato é que eu gostava daquele par de brincos de argola. Gostava de passar a mão, de ver eles em fotos. Achava distinto e delicado, o toque certo de rebeldia e de vaidade ao mesmo tempo. Eram icônicos (com aquela risada sarcástica por eu não entender direito semiótica, mas insistir em usar os termos).

Claro que a zoeira nunca termina, e também afetou os brincos. Tinha gente que os achava ridículos e, por algum motivo que eu nunca vou entender, vinha me falar que os achava ridículos.

Okay, beleza, você pode achar o que quiser. Eu não achava (nem acho agora, e pode apostar que vou brigar com quem quiser impor que são ridículos). Eu gostava pra caramba daqueles brincos.

O problema é que faz tanto tempo que eu nem sei mais sentir falta (apesar de estar quase certa que sinto). Nem sei mais como eles realmente eram, na verdade, e tenho medo que as lembranças que eu tenho sejam puro fruto da minha imaginação.

E que qualquer coisa que eu possa vir a comparar depois sofra uma terrível injustiça, pois não se comparam com a verdade, mas com uma ilusão.

Eram os brincos de argola. O gosto de salgado. A mão suada. O fone de ouvido. A latinha de coca-cola e o humor ácido. Era divertido.

Mas as coisas mudam.

As pessoas tiram os brincos.

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