O que eu quero dizer

Mais um da série TCC.

Na minha faculdade, você precisa fazer o TCC em três capítulos, talvez em quatro. O primeiro é o referencial teórico, o segundo são conceitos e o terceiro é a análise. Dividi o meu meio diferente, já que eu tô pisando na área do Direito. Fiz um capítulo de referencial teórico e conceitos de publicidade, um de referencial e conceitos de Direito e outro com os conceitos específicos do meu objeto. E o quarto, que eu ainda não tenho certeza, vai ser a dita análise.

Mas como a gente está naquele mundo lindjo da academia, eu tenho que enrolar. Muito. Acho que eu resolveria isso com três parágrafos, mas não dá. Preciso de pelo menos dez páginas para cada capítulo, e essa prolixidade me incomoda muito. Então, para a minha felicidade, vou escrever aqui o que eu realmente queria.

Capítulo 1. Referencial Teórico. Porque precisa ter um contexto pra entender o trabalho. Publicidade é quando anúncios são direcionados a produtos e propaganda quando anúncios são direcionados a ideias. Agência de publicidade é onde os publicitários trabalham. Atendimento é o cara que lida com o cliente; planejamento é o cara que faz o planejamento da campanha; criação geralmente é uma dupla, um redator responsável pelo texto e um diretor de arte responsável pela imagem; produção é quem segue as instruções da criação; e mídia é o cara que faz o contato com os veículos. Falando nisso, veículo é a empresa, tipo Zero Hora, meio é a categoria dessa empresa, tipo jornal. E o bolo publicitário é um apelido carinhoso para o gráfico que representa quanto da verba do cliente é investida em cada meio.

Capítulo 2. Direito da Publicidade. Publicitário não entende nada de direito, e advogado não entende nada de publicidade, mas nenhum quer dar o braço a torcer e os dois só fazem merda quando se metem um no campo do outro. Lei é um texto certificado que deve ser respeitado, e tem umas que são mais importantes que as outras. UM DECRETO NÃO PODE REVOGAR UMA LEI, como muitos publicitários por aí acham, e a Lei do Publicitário continua ativa. A Lei mais relevante pra publicidade é a 4.680/65, e nos decretos dela (que eu não lembro os números) ela exige que o CENP, o CONAR e o Código de Ética sejam cumpridos. E se a Lei falou, tá falado, não dá pra discordar. Falando neles, o CENP é o Conselho Executivo das Normas Padrão da Atividade Publicitária e fala das relações entre agência-cliente-veículo. O CONAR é o Conselho de Auto Regulamentação Publicitária, e diz respeito aos conteúdos dos anúncios. E o Código de Ética… Bem, é um Código de Ética. Mas ele é perigoso, porque é citado na Lei, o que faz com que o cumprimento dele seja obrigatório e o descumprimento, ilegal.

Capítulo 3. O Desconto-Padrão. As agências de publicidade começaram, bem, agenciando publicidade. A área da criação não existia, eles só revendiam espaços nos jornais e colocavam dentro dos padrões pra impressão. Pra fazer isso, eles ganhavam um descontinho dos veículos, que ficavam felizes em receber o material pronto. Com o passar do tempo, esse desconto foi oficializado. Primeiro pelo Código de Ética (1957), depois pela Lei 4.680 (1965) e seus decretos, depois pelo CENP (1998). Até o CENP criou uma listinha pra dizer quem merece o desconto e não merece, e ele tem plenos poderes pra colocar e tirar a galera dessa lista. Mas a moral é que um dos decretos da Lei 4.680 foi revogado e a parte que penaliza quem não cumpre o desconto non ecziste mais. O CENP que tinha que fiscalizar isso aí, mas não tem poder pra penalizar porque… bem, primeiro porque ele não é um órgão com poderes jurídicos e segundo porque não existe penalização. E pode isso, Batista? Pode. E tem até veículos que não aplicam o desconto-padrão, obrigatório, e não sofrem penalidade nenhuma, porque não existe.

Capítulo 4. Análise da Aplicação do Desconto-Padrão em Passo Fundo. Entrando em contato com os veículos, todos eles declaram seguir as regras tintim por tintim. Entrando em contato com as agências, elas declaram que não é bem assim. É difícil ter certeza nisso, porque cada um vai proteger o seu. Das 40 agências de Passo Fundo, 2 tem a certificação pra receber o desconto. As outras que recebem, recebem na parceria dos veículos. E os veículos também fazem acordos por fora, dando desconto pra quem não é agência, o que é uma prática ilegal… e sem penalidade.

Conclusão. Difícil tirar alguma conclusão. A falta de recursos e de, bem, honestidade das agências e dos veículos são um empecilho pra uma análise correta, mas pelos dados coletados, o cenário é favorável tanto pras agências quanto pros veículos. O respeito é mútuo, mesmo que eles não tenham tantas bases legais para se entender isso. Agora, é necessário e urgente que a legislação pertinente para a publicidade (e a propaganda) seja atualizada, principalmente no que diz respeito às penalidades de quem não cumpre o que a lei diz.

Taí. Meu TCC.

Meu problema é fazer com que isso tenha quarenta páginas.

Anúncios

Um pensamento sobre “O que eu quero dizer

  1. Nem fale, que meu atual problema é desenvolver as questões da minha dissertação de mestrado. Sempre fui muito direta naquilo que quero falar (ou escrever, no caso), e é assim na minha dissertação também. Só que toda vez que meu orientador devolve meus textos com as correções dele vem um “desenvolva” em vermelho, bem grande, por eu ser sucinta demais. Ai, vida bandida. =/

    (e achei legal usarmos o mesmo tema base! haha)

Não me siga, eu também estou perdida.

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s