Ontem, no ano passado

Eu acordei de madrugada pensando “é meu aniversário”.

Liguei pra casa pelo Skype e fiz de tudo pra não chorar, mas não deu muito certo. Eu estava sozinha, num lugar completamente estranho, com pessoas que eu não gostava, fazendo algo que eu não entendia e minha irmã começou a cantar “parabéns a você”. Odeio essa música profundamente.

Conversei com minha família e tentei me acalmar. Ficar histérica a 17 mil kilômetros de casa por estar com saudade não é muito eficiente.

Levantei e saí sem tomar café. O Eric estava em Sydney e a Tia Dong estava fazendo café da manhã para a Nancy, que ainda dormia. Sorri pra ela, dei tchau e fui pro shopping. Ninguém na casa sabia que era meu aniversário.

Pela diferença de fuso, as mensagens só começaram a pipocar no meu Facebook lá por meio dia, meio dia e meio, enquanto eu estava na aula de Marketing (pelo menos era a única aula que eu gostava). Entrei muda e saí calada, porque estava de mau-humor e ainda não tinha desenvolvido cara-de-pau pra falar com o professor fora da aula.

Almocei uma lasanha de mais ou menos R$4 mas que me custou R$18 e um suco de maçã. Passei no mercado a caminho de casa e comprei leite condensado pra me fazer brigadeiro.

Cheguei em casa, entrei no meu quarto e chorei até dormir.

Eu tenho certeza absoluta que nenhum aniversário poderia ser pior. Não recebi um sorriso, um abraço, nem um aceno sequer. O único resquício foi, quatro semanas depois, quando eu encontrei um menino brasileiro que também estava no programa que disse ‘ei, a gente faz aniversário no mesmo dia, parabéns atrasado!’.

Claro que tirando as mensagens virtuais.

Esse ano, por outro lado, tirei meu aniversário do Facebook e, mesmo assim, recebi um punhado de mensagens de parabéns das pessoas que realmente importam. Minha avó me deu um abraço, meu avô me contou das viagens dele pro Tocantins, minha tia e meu tio disseram pra eu tomar cuidado pra não quebrar a outra perna, meu cunhado me chamou de zumbi manco, minha irmã comprou um bolo e minha mãe fez um chazinho pra mim (eu tô meio gripada). E uma amiga minha invadiu a minha casa, como de praxe.

Moral é: não teve festa, não teve bebida, não teve música alta e não teve galera. E foi o meu melhor aniversário até hoje.

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Um pensamento sobre “Ontem, no ano passado

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