Sul: Aquele tal de bullying

Vamos parar com a palhaçada e admitir: todo mundo faz bullying. É divertido zoar o coleguinha que tem a língua presa. E eu não acho que seja algo ruim. Cruel, sim, mas gostaria que você lembrasse que o mundo é cruel. O bullying é como uma preparação, um test drive da vida: como você vai agir quando o seu chefe disser que você é um merda e que deve ouví-lo porque ele tem mais experiência?

Talvez eu devesse estabelecer que eu estou falando de zoações comuns de crianças e adolescentes. Mas o termo bullying foi deturpado para qualquer coisa que possa ofender. O bullying verdadeiro, de raiz, roots mesmo é jogar na lata de lixo e enfiar a cabeça na privada, não chamar quem usa óculos de “quatro olhos”. Acho que se pode qualificar como bullying quando vira agressão física ou… Não sei como explicar, mas quando vai além dos apelidinhos e do clássico ‘tá namorando!’ quando se está a dois passos de distância de alguém do sexo oposto.

Eu tenho absoluta certeza que eu pratiquei bullying nos meus tempos de colégio, tanto quanto eu sofri. Algumas dessas cicatrizes ainda doem (eu não gosto de atividades físicas até hoje por causa disso) e nos assombram (também odeio comprar roupas por não me sentir confortável com o meu corpo) pelo resto da vida. Mas, como disseram naquele filme que eu não lembro o nome, talvez os homens sejam ilhas, que se juntam e formam arquipélagos. Bem, e eu digo que em algumas dessas ilhas existem vidas selvagens extremamente nocivas, e precisamos saber nos proteger.

Talvez eu seja hipócrita em dizer isso. Em dizer que o bullying nos ensina a nos protegermos, porque isso faz com que criemos uma máscara que nunca mais conseguimos tirar.

Bullying molda, sim, o caráter, e eu admito que nem sempre é um bom caráter.

Mas, enfim, sei lá. Faz parte e é importante passar por isso.

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2 pensamentos sobre “Sul: Aquele tal de bullying

  1. Sempre penso isso, sabe? Penso que as pessoas não seriam as mesmas se não tivessem sofrido algumas zoações e que sim, elas doem, machucam e traumatizam, mas também nos ajudam a crescer de algum modo, como tudo sempre faz. Acredito que quando o bullying deixa de ser uma zoação básica e passa a ser algo mais elaborado e terrível deve ser combatido de algum modo, mas as zoações entre crianças e adolescentes, talvez por considerarmos normal, parece ser simplesmente saudável.

Não me siga, eu também estou perdida.

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