Carta na Garrafa: 2012

Caro ano de 2012,

Agradeço. Mesmo.

Você foi um ano pé no saco, extremamente longo e irritante, mas acho que me despeço de você um pouco mais sábia.

Não lembro muito bem como nós fomos apresentados. Claro que teve lentilha, roupa branca, fogos de artifício e meu pai reclamando da seca. Você foi meio duro com a agricultura esse ano, 2012.

Logo depois de nos conhecermos, eu me senti terrivelmente sozinha. Me aproveitei de um abraço de despedida para tentar compensar isso. Não deu muito certo… Mas, com o tempo, eu acabei fazendo novos amigos. Bem, não necessariamente novos amigos, mas passei a valorizar mais os amigos que eu tinha e que eram um pouquinho distantes.

Teve amor. Apesar de eu achar essa palavra muito pesada, teve. Eu havia pedido por novos amores, mas você me contrariou e mandou os antigos. Não me entenda mal, eu gostei, foi bom, mas o passado tende a se repetir. Sendo honesta, nesse quesito você copiou o seu irmão 2011 direitinho. Acho que a única diferença é que eu soube melhor como agir. Ainda tenho muito que aprender, claro, mas evoluí.

Tenho bastante dificuldade pra lembrar do teu começo, 2012. Como foram as coisas na faculdade? Você me mostrou o quanto eu gosto de Marketing e de Planejamento, mas como? Não consigo lembrar. Não sei se foi com você ou se foi com o seu irmão mais novo que eu fiz aquele trabalho para Redação que eu gostei tanto.

Sinto falta das aulas de Redação.

No quesito profissional… Você foi o primeiro ano a fazer alguma coisa sobre o assunto, então eu te perdoo. Porque foi pesado.

E teve, é claro, a Austrália. Não sei como me sentir com você com relação a Austrália…

Foi… interessante, para dizer o mínimo. Também foi estressante e um pouco deprimente. E foi difícil. Você foi traiçoeiro, 2012, com o negócio da Austrália. Me despiu completamente de quem eu sou e aí eu tive que me conhecer, nua de disfarces. Me recolho a minha insignificância, 2012, e espero que tenha tido alguma sabedoria que só os anos entendem para me fazer uma pessoa melhor.

Teve lágrimas, teve sonhos, teve carinho, coração partido, dinheiro e mistério. Você fez coisas comigo que eu não entendo e que também não me atrevo a entender. Pelo menos não agora, não me sinto pronta.

Ah, 2012… Fico feliz que você tenha acabado. Sofri com você, de verdade. Você foi como um mestre particularmente severo, do tipo que a gente odeia quando está nos dando aulas… Mas que a gente vai entender e sentir falta no futuro.

Adeus, 2012. Obrigada por tudo. Eu acho.

Sinceramente,
Mariana

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2 pensamentos sobre “Carta na Garrafa: 2012

  1. Adoro esse tipo de texto e eu queria muito ouvir detalhadamente sobre sua experiência australiana, pois acho que tem muito que você não se sente pronta para dissertar sobre e eu queria saber, afinal, sou a rainha da curiosidade. O meu 2012 foi ótimo e eu espero que o seu 2013 seja um pouquinho melhor, viu?
    Aliás, 2012 teve eu, lá em Janeiro, lembra? Não foi tão ruim assim, vai!
    Abraços!

Não me siga, eu também estou perdida.

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