Acertando as contas

Então que eu estou devendo um post verdadeiro sobre a fantástica terra de Oz. (pra quem não sabe, a Austrália é conhecida como ‘Oz’ e os australianos como ‘Ozzies’ ou ‘Aussies’).

Meu muralzito

Antes de qualquer coisa, eu aviso que é um post longo e chatinho. E também aviso que, como vocês devem reparar, eu sou uma panaca de marca maior, então minhas atitudes foram sim de panaca.

Primeiro você tem que entender que eu tenho um cordão umbilical gigantesco com a minha família. Eu tento disfarçar, mas isso não quer dizer nada. Ele está ali, grande e forte, e eu não sobrevivo sem estar em contato com eles. E o fuso horário deixa tudo mais difícil. O jet-lag, na verdade, ajudou muito nesse aspecto. Acordar as 4h ou 5h da manhã estava sendo fácil pra caramba, então eu ficava online e falava muito com todo mundo. Tive sorte com isso, porque agora que a depressão de ter saído de casa e vindo para um lugar estranho tá passando, o jet-lag também. Tenho falado menos com o pessoal de casa e, aos poucos, estou vivendo mais aqui.

Sim, grande parte das minhas reclamações até agora (se você me segue no twitter ou viu meus vídeos no facebook sabe do que eu estou falando) foi puro drama.

Então, falemos sobre Canberra.

Não, você falou errado. Não é “cãn-bé-rra”, como é de se imaginar. Se fala “Quembra” e eu demorei quase uma semana para aprender isso. Sim, Canberra é a capital da Austrália. Acredite em mim, não é Sydney não. Já passei pelo parlamento aqui e te garanto que é a capital. Política, pelo menos.

Bem, apesar de ser a capital, é uma cidade pequena. Não muito maior que Passo Fundo (oi, Ethy!), mas consideravelmente maior que Carazinho (oi, mãe!). Tem aquele ar de cidade americana, mas os preços são muito brasileiros. Pringles, por exemplo, custa A$4 (cerca de R$8,50) no mercado, bem diferente dos U$1 de Nova York. Aluguel, comida, roupa… A única coisa que tem um preço melhor que os preços brasileiros são eletrônicos, ainda bem.

As pessoas… Bem, é difícil querer generalizar uma população quando você é ‘imigrante’, então eu diria que ela é mista. Não fui muito com a cara do pessoal do Homestay, mas adoro as pessoas do alojamento. E os professores, mas minha veia geek sempre vai simpatizar com os professores (nem que seja só com 75% deles). Só que como aqui é a capital política, tem muito estrangeiro (oi, eu!). Vale lembrar que a ANU é a universidade da Austrália com mais alunos de intercâmbio de todo o país (não tenho os números, depois eu confiro e falo). Então tem esse mix legal e ninguém vai falar nada se você sair com uma roupa estranha ou tiver um comportamento fora do convencional. Afinal, ninguém sabe se é parte da sua cultura ou não. Mesmo assim, acho triste ver o quão ‘tribalizado’ o povo é. Não é aquela mistura bonita de culturas em uma pessoa só, como é no Brasil. É uma mistura de culturas, uma mistura de tribos.

As matérias… Um porre, não quero falar sobre isso.

A universidade… É tenso eu achar que o sistema brasileiro de ensino superior é melhor do que essa idiotice de palestras e tutoriais? Na real, eu acho que é um pouco de saudosismo, alguma coisa de casa que eu tô querendo me apegar, mas eu sou do tipo que aprende muito mais nas aulas em que o professor fala comigo, não naquelas que ele manda a gente ler um texto e depois lê o texto lá na frente. Okay, dramatização, eu sei. Não posso discutir que a estrutura é absurda, queria ver as mágicas que Bibiana, Cléber Nelson, Ciro, Aline, Beto e vários outros professores da UPF fariam com uma estrutura dessas. O melhor exemplo de como essa estrutura é má organizada, aqui, é a biblioteca. De que adianta ter uma biblioteca de humanas com cinco andares se os livros que a gente precisa nunca estão disponíveis? Exemplar de Consulta Local pode ser um porre, mas já salvou milhares de trabalhos. E tenho dito.

O clima… É o máximo, exatamente do tipo que eu gosto. Quentinho dentro dos prédios (as vezes quente demais, admito) e frio lá fora, com um vento gostoso que bagunça o cabelo e pede que a gente use lenços. Sou apaixonada por lenços, dá licença.

A vida selvagem… Odeio cacatuas, mais que eu odeio quero-queros. E eu odeio quero-queros. Não vi nenhum canguru AINDA e o passe do zoológico é muito caro e meu dinheiro pra esse mês tá curto. Mas tem um milhão de pássaros coloridos e com cantos exóticos, coelhos, gatos, cachorros, patos, pássaros que eu não sei o nome e outras coisas não tão estranhas. São o principal sinal de que eu estou em um lugar diferente.

O sotaque das pessoas… É massa, mas já estou cansando de ter que falar ‘mobile’ no lugar de ‘cell phone’. É como você ter que falar ‘telemóvel’ no lugar de ‘celular’. Um pouquinho irritante. Não tenho falado tanto assim pra já estar com a língua solta e ainda tenho dificuldade em uma que outra coisinha na hora de entender, mas nada muito grave.

Aos poucos eu vou me adaptando, e isso é legal. Só quero ressaltar que eu não consegui me adaptar na homestay, e ter mudado para o alojamento foi a melhor coisa que eu poderia ter feito.

Pronto. É isso. (:

Dica do dia:
O site do programa do intercâmbio
(porque eu não quero ter que
ficar explicando o que é)

Ciência Sem Fronteiras

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